LFF – 7º Dia

Começando bem: primeiro dos 4 Screen Talks do festival

Começando bem: primeiro dos 4 Screen Talks do festival

A noite começou com a primeira de quatro dos Screen Talks promovidos pelo BFI durante o festival. Jane Campion, grande a diretora neo-zelandesa, vencedora do Oscar (roteiro original) e da Palma de Ouro por O Piano. Um dia antes ela estreou Bright Star no festival que, infelizmente não pude ir, pois coincidia com os dois outros filmes que queria ver – pra “compensar”, vi o ator principal, Ben Whishaw, que tava no evento também. Bom, só a aparência dela já chama a atenção né?.Alta, dona de uma voz potente e,  com seus 55 anos, mantém aquela cabeleira gigante, já quase grisalha. E esperava uma mulher super introspectiva, divagadora e mais esquisita, a dar por seus filmes e fama de difícil. Mas que nada. Me surpreendeu pelo bom humor e descontração, mas não pela paixão com que fala do filmes.

Sim, ela ri!

Sim, ela ri!

A entrevistadora foi a Sandra Hebron, diretora artística do festival, que vejo praticamente todo dia na introdução das premières (e já admiro). Puxou lá do início da carreira, com os curtas e as primeiras produções (não vi Sweetie nem Um Anjo em Minha Mesa). Sobre O Piano, contou histórias ótimas sobre como tinha medo de trabalhar com Harvey Keitel, que tinha uma reputação não muito amigável. Mas no set acabou mostrando-se superdisponível e que não parava de falar num tal filme que tinha acabado de fazer, com um diretorzinho que tava começando – um tal Reservoir Dogs, dum tal de Tarantino, alguém conhece? 😛

Cada vez que entrava um clipe de seus filmes, ela descia da cadeira e sentava no chão para não atrapalhar a visão da platéia. Muito engraçado. Ela deu sim uma pinta de maluquete. Dava umas risadas soltas, das próprias piadas que fazia, falando que às vezes pega inspiração vendo um cavalo pastando ou uma borboleta no ar. Meio riponguinha, talvez, mas quem sabe daí vem todo seu talento e criatividade?

Disposição não faltou pra Jane Campion: sentada no chão (esq.) a cada clipe de seus filmes

Disposição não faltou pra Jane Campion: sentada no chão (esq.) a cada clipe de seus filmes

Como ela falou mais que o esperado, faltou tempo e cortaram os clipes de Retrato de uma Mulher e Em Carne Viva (dois belos filmes, diga-se). Entre as “geniais” intervenções da platéia, uma dita austríaca teve a caraça de parar tudo, pegar o microfone e perguntar se podia entregar seu DVD de atriz para ela avaliar. Como tem cara de pau nesse mundo né? E pensar que eu fiquei com vergonha de ir atrás dela depois que acabou pra pedir autógrafo no meu DVD do Piano. Tive vergonha, mas fui de qualquer forma. Minha coleçãozinha tá ainda mais legal agora. 🙂

Os próximos Screen Talks serão Clive Owen (quinta) e Julianne Moore (sexta – ai Jesus!!!). O da diretora Sam Taylor-Wood não comprei (desculpa, mas nunca ouvi falar dela… ao que parece é uma artista plástica famosinha por aqui que estreou na direção agora com o Nowhere Boy, filme sobre a juventude do John Lennon que vai encerrar o festival – e o único que não consegui ingresso 😦 )

 

Atriz, roteirista e diretora de "An Education", um dos mais cotados pro Oscar 2010

Atriz, roteirista e diretora de "An Education", um dos mais cotados pro Oscar 2010

Filme: An Education

Nota: * * * *

Quem tava por lá: Carey Mulligan, Emma Thompson, Dominic Cooper, Matthew Beard, Nick Hornby, Lone Scherfig

A sessão: Cheguei em cima da hora. Vim correndo (literalmente) da entrevista da Jane Campion, cheguei com o coração na mão mesmo, com pontadas e tudo. Haja! Entro no tapete vermelho e dou de cara com a Carey Mulligan dando autógrafos. Nunca faço isso (pois tenho vergonha) mas tava com a câmera pequena no bolso e não resisti, saquei e disparei um close dela. Ficou boa (orkut depois). Dou mais alguns passos em direção à entrada do cinema e do outro lado, dando entrevista pros repórteres, dona Emma Thompson, com seu casaco de pele de vaquinha (artificial, espero eu). Pego a mesma máquina (ainda ligada) e tiro uma foto dela… tava com muito zoom, ficou fraquinha. Não tentei mas pois seria muito mico. Um povo subiu pra apresentar o filme. Além das duas atrizes, a diretora Lone Scherfig (dinamarquesa), os atores Dominic “arroz de festa” Cooper e Matthew Beard, o roteirista Nick Hornby, alguns produtores e técnicos e Lynn Barber, autora das memórias nas quais o filme se baseia. Por estarem atrasados, ficaram acho que 30 segundos no palco e, como tava num lugar péssimo (o único que não me deram ingresso na frente/centro), não consegui fazer foto que preste. Depois só Carey, Nick e Lone voltaram para uma rapidíssima Q&A (aí mudei prum lugar melhor já que, grosseiramente, muita gente se levanta e vai embora depois que o filme acaba, enquanto a equipe já tá do lado do palco esperando pra entrar :O). A inglesinha Carey não pode ser mais adorável. Tem a cara de 16 anos que sua personagem tem (ela tem 24 na real!). Lembra muito a Katie Holmes, mas mais magrinha e, óbvio, melhor atriz. E não sei porque cargas d´água sempre achei que o Nick Hornby fosse um gurizão… sei lá, no máximo agora uns 35 anos, por causa de suas histórias, provavelmente – histórias que eu adoro, diga-se, como Alta Fidelidade e Apenas um Garoto. Mas é um senhorzinho de 52 anos, ao que parece, cada vez melhor escritor. Todos ressaltaram o quanto tempo estão envolvidos no projeto – até a diretora trocou no meio do caminho (era Beeban Kidron antes), inclusive, e paixão dos atores por seus personagens. Justo. São adoráveis mesmo.

Não é Katie Holmes não.. é Carey... Carey Mulligan... revelação de 2009 e pronta pra puxar o tapete da Meryl Streep

Não é Katie Holmes não.. é Carey... Carey Mulligan... revelação de 2009 e pronta pra puxar o tapete da Meryl Streep

O filme:  Junto com Up in the Air e acho que é o único filme que tá em todas as listas de apostas a Melhor Filme pro próximo Oscar. Já li umas críticas, porém, dizendo que é um filme simpático, mas nada demais. Não sei dizer quem tá certo. Adorei o filme, de verdade. Daqueles de sair bem do cinema sabe? Mas pra encabeçar os cotados pro Oscar não deixa de ser surpreendente. Quantas vezes já se viu um filme sobre o despertar da adolescência para a fase adulta? Da menina oprimida que descobre o mundo por meio do amor? Até mesmo focado nos mesmos anos 60? Mas é tudo tão bem contado, com uma cara leve mas ao mesmo tempo com essência, que não dá aquela sensação de déjá vu nunca. Culpados por isso? Um: o sempre ótimo roteirista Nick Hornby e, dois: o elenco afinadísimo. Carey Mulligan é A revelação do ano mesmo: linda, com uma cara doce e inocente, mas que pega fogo na tela quando resolve mostrar atitude. Em tempo: ela fez pouca coisa antes em cinema: uma ponta em Orgulho e Preconceito e a vi esse ano em dois filmes – And You Did You Last See Your Father? (em DVD, com o Colin Firth e o Jim Broadbent) e Public Enemies. E tem pelo menos quatro filmes pra estrear até o ano que vem, incluindo Brothers (com o Tobey Maguire e a Natalie Portman) e a continuação (quase nada tardia) de Wall Street. Alfred Molina como o pai que tenta ser opressor mas é um bonachão, está hilário, e as participações pequenas, mas valiosas de Emma Thompson (a diretora da escola enérgica e sarcástica), Olivia Williams (a professora inspiradora) e Rosamund Pike (a amiga perua e avoada), dão um charme completo à trama. Achei só que enxugaram muito no final. Sei lá, acaba meio rápido (foi uma opção, ao que disseram lá, da diretora Lone Scherfig – por sinal, não cheguei a ver os filmes anteriores dela – Italiano para Principiantes e Wilbur Quer Se Matar, mas ela me parece bem talentosa). Enfim… nas não tem como não reconhecer as qualidades do filme que é o orgulho britânico de 2009. Será que Carey tira o terceiro Oscar de Meryl Streep?

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Filed under Famosos, Festivais, Filmes vistos

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