LFF – 8º Dia

Haneke preferiu falar alemão e ser traduzido por um intérprete, o que sempre dá uma certa agonia não?

Haneke preferiu falar alemão e ser traduzido por um intérprete, o que sempre dá uma certa agonia não?

 

Filme: The White Ribbon (Das Weiße Band)

Nota: * * * *

A sessão: Um dos filmes mais esperados da temporada festivalesca. Michael Haneke + fotografia em p&b + Palma de Ouro + uma possível Q&A com ele depois = êxtase total. Pois então… por ser um título de (bem) menos “apelo popular”, a première foi no Curzon Mayfair (que adoro e tem uma brasileira como gerente), longe do red carpet de Leicester Square. Aliás, nem tapete teve, até porque não teria quem passar por ele 😛 Qual não foi minha satisfação ao saber que sim, Haneke não só estaria presente quanto falaria depois do filme. Apesar de já ter dirigido atores americanos (na versão estadunidense de Funny Games) e sim falar inglês, ele preferiu estar acompanhado de falar em alemão, acompanhado de um tradutor. O entrevistador/foi o Dave Calhoun, editor de cinema da revista Time Out, promotora desse evento, inclusive. Começou ironizando que “terrifying são seus filmes, não ele”. Aí respondeu algumas perguntas óbvias do tipo como veio a inspiração do filme (analisar as possíveis origens do fascismo na Alemanha pré-Guerra), o porquê do preto-e-branco (escolha desde o início, pelo tom da história), qual o estilo de filmagem (desenha um detalhado storyboard e segue à risca), como lida com os atores (não ensaia nunca antes de rodar, apenas no set, pra não perder a espontaneidade) etc. É meio chato ouvir alguém falar e falar em uma língua tão estranha quanto o alemão e esperar um monte pra entender (o tradutor anotava tudo desesperadamente e ainda demorava pra falar em inglês depois), mas nada que comprometa o prazer de assitir a um mestre desses falar. Ah, e contou que no próximo verão europeu começará a rodar seu próximo filme – novamente com Isabelle Huppert, uma história sobre a decadência do corpo humano durante a velhice! – “another joy”, brincou. Can´t wait!!! PS: apesar da chatice dos organizadores de lá, de (tentar) isolar os convidados ao máximo do público, deixei um jeito de furar a “barreira” e pegar o autógrafo dele no meu DVD de La Pianiste: ele pegou, olhou a outra assinatura já riscada na capinha e largou: “is this from Isabelle?”; eu, tímido, “yes sir, it´s from her! How brilliant is my DVD now, right?”. Ganhei o dia.

Depois de ganhar a Palma de Ouro das mãos de sua musa, Haneke contou que o próximo filme é de novo com Isabelle Huppert :)

Depois de ganhar a Palma de Ouro das mãos de sua musa, Haneke contou que o próximo filme é de novo com Isabelle Huppert 🙂

O filme: É e não é um “típico” filme de Michael Haneke. Pra quem já está acostumado (ou não) às cenas propositadamente chocantes e surpreendentes, a la Pianiste ou Caché, inicialmente pode sair frustrado. Uma parábola política de duas horas e meia, em preto-e-branco, quase sem música, sem qualquer ator conhecido (aparentemente, o diretor queria o Ulriche Mühe, do A Vida dos Outros,  pro papel do professor, mas morreu antes, coitado L) certamente não será de fácil digestão para todos. Mas Haneke realmente não está nem um pouco preocupado em fazer concessões. E sua marca está justamente em sempre oferecer mais perguntas que respostas em seus filmes. Muito mais perguntas nesse, diga-se. Não tem como evitar aquela sensação meio incômoda de “tá, mas aonde isso vai dar? O que isso importa mesmo para a história? E o culpado vai aparecer que horas?”. Sensação de quem tem a mente já viciada no beabá hollywoddiano, com início-meio-e-fim. Mas terminado o filme, e principalmente depois das belas explicações dadas pelo próprio cineasta após a exibição, ficou mais fácil de absorver, confesso. Um conto basicamente sobre a “pré-história do fascismo”, uma análise profundíssima das relações familiares, com a câmera pulando de casa em casa dos personagens, do pastor ao médico, da babá ao professor, tudo aparentemente “sem ação”, mas de uma riqueza de detalhes incrível, repleta de diálogos fortes com todo tipo de exploração verbal e física. Lembra mais o Código Desconhecido, sem focar muito em uma só história ou personagem. Difícil sim, mas não menos brilhante.

Que luxo hein?! Autógrafo de Michael Haneke e Isabelle Huppert no mesmo DVD?! Não é pra qualquer um não hein, sorry! :P

Que luxo hein?! Autógrafo de Michael Haneke e Isabelle Huppert no mesmo DVD?! Não é pra qualquer um não, sorry! 😛

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1 Comment

Filed under Famosos, Festivais, Filmes vistos

One response to “LFF – 8º Dia

  1. Halal

    Haneke e Huppert no mesmo dvd… ENVI.

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