LFF – 10º Dia

 2310 Screen Talk_Julianne Moore (34)

Faz 341 dias que estou em Londres. 8.184 horas. Pois nessa 1 hora do dia 23/10/09 todas as outras 8.183 foram recompensadas. Sim, valeu TUDO a pena para estar uma hora na presença de Julianne Moore. Quando tava no Brasil, imaginava sim que poderia encontrar algum ator ou diretor por aqui, tipo cruzar num cinema, numa exposição, ou ver no teatro, sei lá. Não tinha muito idéia de como era o acesso às premières, por exemplo. Depois de passar por tantas (e conhecer muita gente boa) veio o tal festival e as perspectivas foram multiplicadas numa potência surreal. Entre elas, a chance de ver e ouvir uma das minhas atrizes preferidas de todos os tempos. 

E foi exatamente como eu esperava. Linda, simpática, risonha, falante, bem-articulada, inteligente, bem-humorada, agradável e… cheirosa!! hahaha Calma, explico. Cheguei no British Film Institute uns 40 minutos antes da hora marcada. Umas 25 pessoas estavam na porta com seus caderninhos, fotos e DVDs em mão (a maioria estava no dia anterior, atrás do Clive Owen – são os “caçadores de autógrafos” que batem cartão nos eventos e depois vendem as fotos autografadas na internet). Com meu DVD de Boogie Nights na mochila, minha idéia era tentar o autógrafo na saída, depois da entrevista como fiz com Jane Campion e o próprio Clive. Mas resolvi ficar ali. Os outros estavam atrás de uma minigrade que improvisaram ali, e eu fiquei sobre uma escada só observando. Uma meia hora depois o carro dela chega e eu desço pra ponta da escada, onde não tinha grade! Os seguranças nem perceberam, acho eu. Fiquei tipo no “fim da fila”. E ela foi chegando… com o seu sorriso maior que o Big Ben e, na minha vez, me dá um “hi” todo alegre, e pega a capinha pra assinar… só eu e ela, ninguém nem nada no meio… ahhh o perfume… suave, tipo uma água de colônia, sei lá…. podia morrer depois daquilo… feliz. 🙂

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 A entrevistadora escolhida foi a Briony Hanson, diretora da Script Factory e que tem colunas em várias mídias (BBC 4, Sky Movies etc.). Já chegou dizendo que aquele era, claramente o “hot ticket” do festival. That´s right! Ótima, descolada, esperta, adorei. Começaram “pelo fim”, falando de A Single Man, estréia do Tom Ford na direção e pelo qual ela já tá cotada pro Oscar de coadjuvante (merecido). Falou que apesar de novato, Ford foi super meticuloso e sabia exatamente o que fazer. Depois houve o tradicional retrospecto, desde os primeiros filmes “comerciais” (O Fugitivo, Corpo em Evidência) até a primeira  parceria com Todd Haynes, em Safe, e com Paul Thomas Anderson, em Boogie Nights. Mostraram o clipe do último, da cena em que ela tá chapadíssima com a Heather Graham, que a chama de mãe (perfeita!). Disse que tenta confiar totalmente em seus diretores, mesmo sem saber como o filme vai ficar depois de pronto (como cantar pra câmera na cena inesquecível de Magnolia. Citou inclusive Fernando Meirelles, que chamou de “visionário” e “com ideias brilhantes”, dizendo que lamentou que Ensaio sobre a Cegueira tenha sido massacrado por parte da crítica, pois o considera genial. Depois vieram clipes de Far From Heaven (numa cena com a sensacional Patricia Clarkson) e As Horas (com John C. Reilly, em que ela chora escondida no banheiro), papéis que lhe renderam duas indicações ao Oscar no mesmo ano (2002). A entrevistadora elogiou a performance do guri que faz o filho dela em As Horas, mas Moore revelou que foi muito difícil trabalhar com ele, pois não era um ator natural, e precisava ser “treinado”. E que nunca viu Nicole Kidman no set, pois foram rodados como filmes independentes um do outro

 jus

Sobre os filmes que “pagam a hipoteca”, Ju disse que não se envergonha de nada que fez e, mesmo em filmes ditos comerciais teve a chance de trabalhar com feras como Ridley Scott, Steven Spielberg e Ivan Reitman. Justo! No fim, na hora de falar de Chloe, a entrevistadora perguntou se foi difícil ficar as cenas de sexo, as quais considerou “perturbadoras”, e também fazendo menção a outros personagens de sexualidade, digamos, ambíguas. Ela rebateu, em tom irônico: “Really? You don´t like the lesbian girls?”. Hanson resolveu se entregar e fez um gesto do tipo “eu? Olha pra mim e vê!”. A platéia caiu na gargalhada (sim, tava na cara que a moça também é). E respondendo à pergunta, ela disse que não tem o menor problema com o corpo, ao fazer cenas de nudez ou sexo. Seu próximo projeto, alias, é The Kids Are Alright, da Lisa Cholodenko (“more girl on girl action”, disse ela hahahaha). E como mantém a beleza e a mesma cara aos 48 anos? “Hummm… quem sabe eu tenha um retrato no armário também?”. 🙂 Aí, cravada uma hora de duração (o menor dos Screen Talks até agora), a entrevista foi encerrada, sem perguntas da platéia. Depois de tantas emoções, nem podia pensar em reclamar.

 

Filme: The Bad Lieutenant:  Port of Call New Orleans

Nota: * * * ½

 bad_lieutenant_4-3

Fosse qualquer outro diretor, acho que jamais pagaria tanto para ver “o novo filme do Nicolas Cage”. Nunca engoli o sujeito. Ok, o Oscar por Despedida em Las Vegas foi merecido, e a interpretação é ótima mesmo. Mas é uma exceção tão absurda em sua carreira que não dá pra perdoar muito. E acho ele canastrão mesmo, não só pela má qualidade dos filmes (O Sacrifício foi a gota d´água). Mas com o alemão Werner Herzog na direção, a coisa poderia ser diferente. Nunca se esperia que ele refilmasse um policial obscuro dos anos 90 (Vício Frenético, com o Harvey Keitel, que não vi) e com Cage como protagonista! Mas, na verdade, a história maluca e despirocada é a cara dele, não? A trama policial em si é o que menos importa (aliás nem entendi tudo, confesso). O mais legal é, acredite se quiser, o personagem de Nicolas Cage. Me rendi ao canastrão. Ele tá ótimo! Todos os seus tiques e caretas, normalmente detestáveis, são elevados à décima potência aqui, e acabam perfeitos pro papel! Sério, algumas cenas beiram o genial. O filme vai andando e o policial cada vez mais drogado, torto e fora-de-controle. A cena em que ele ataca as duas velhinhas (foto) é de chorar… de rir! Fora os “pontos de vistas” dos lagartos/jacarés/iguanas, sei lá o que eram… Muito bom. Palmas pro alemão por conseguir tirar uma boa performance do sobrinho do Coppola. Vai ver o Oscar não foi tão roubado assim…

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Filed under Famosos, Festivais, Filmes vistos

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