LFF – 11º Dia

Filme: À Deriva

Nota: * * * *

O francês Vincent Cassel e a estreante Laura Neiva: naturalidade e beleza no novo filme de Heitor Dhalia

O francês Vincent Cassel e a estreante Laura Neiva: naturalidade e beleza no novo filme de Heitor Dhalia

Não escondo que fiquei bem orgulhoso de ter um filme brasileiro incluído na programação do festival (batizado de Adrift). E um que queria muito ver. Acho o Heitor Dhalia muito bom. Gostei de Nina – não amei, mas tem sim suas (várias) qualidades – e adorei O Cheiro do Ralo, um roteiro brilhante, atuações idem e uma direção, no mínimo, criativa e corajosa. Pois esse novo dele é bem menos “alternativo”. Sem experimentações visuais ou temas bizarros. É quase o oposto: belo, plástico, humano e quase convencional mesmo. Mas não por isso, menos bom. Achei ele maduro como diretor, soube mostrar versatilidade. A história de uma menina dos anos 80, que vive em Búzios com os pais, e vai lidando com os tradicionais dilemas de seus 14 anos, enquanto pai e mãe estão em crise poderia ser um filme só meia-boca. Mas achei dos mais agradáveis e competentes. Muito pelo elenco. A estreante Laura Neiva é um achado: bonita e natural, lembra uma mistura de Carolina Dieckmann e Fernanda Lima. Vincent Cassel falando português enroladinho tá completamente diferente do intenso Mesrine, por exemplo. E Débora Bloch é ótima atriz, pena que não faz mais cinema. E felizmente, Dhalia não deu muito diálogo pra Camilla Belle, americana/brasileira baita  canastrona (como me irritou em O Mundo de Jack e Rose, com o Daniel Day-Lewis).  Tem uma ou outra cena meio deslocada (como uma discussão supostamente “profunda” entre o casal, os diálogos me pareceram falsos demais), mas o resultado é dos mais satisfatórios.

 

Filme: Un Prophète

Nota: * * * *

O roteirista Abdel Raouf Dafri e o diretor Jacques Audiard apresentaram o fime francês sensação do ano

O roteirista Abdel Raouf Dafri e o diretor Jacques Audiard apresentaram o fime francês sensação do ano

A sessão: Não tinha comprado ingresso pra ele. Tava na minha pré-lista pra ver, mas acabei tendo que ir cortando uns e outros, pra não estourar (de vez) o orçamento. Mas aí começou a bater a culpa. Toda hora lia uma crítica ou matéria falando mais e melhor do filme. Era o Merten falando que merecia a Palma de Ouro mais que Michael Haneke, eram as revistas daqui dando cinco estrelas, era sites dando ele como favorito ao Oscar de filme estrangeiro, e por aí vai. Quando resolvi comprar, já tava esgotado. Mas não desisti. Fui pra fila dos “retornos”, pra tentar os ingressos desistidos ou disponibilizados de última hora pela distribuidora. Na ultimíssima hora (mesmo!) quando já não tinha mais ingressos oficiais por parte do cinema, aparece um cara oferecendo um ingresso. Tinha umas 6 pessoas ainda na minha frente, mas ninguém quis um só. Ir sozinho ao cinema tem sim suas vantagens, tá vendo? Lá fui eu! Apresentando o filme, o diretor Jacques Audiard e um dos roteiristas Abdel Raouf Dafri. Acompanhados por uma tradutora, voltaram depois pra uma Q&A, a mais chata até agora. Audiard é uma figura figura estranha, me lembrou um pouco o Hector Babenco, daqueles tipo sabonete, irônico e autoconfiante em excesso, fugindo das respostas objetivas. E Dafri (o mesmo dos dois Mesrine) político e xiita demais pro meu gosto. Sei lá, não rendeu. Ou eu que boio demais no assunto (bem possível).

Favorito em Cannes, perdeu pro filme de Michael Haneke.... e quem leva o Oscar?

Favorito em Cannes, perdeu pro filme de Michael Haneke.... e quem leva o Oscar?

O filme: “Melhor filme de prisão de todos os tempos”. Tenho lido muito por aí. De certo é um dos mais competentes, pelo menos nos últimos anos. Não gostei do filme anterior de Audiard, De Tanto Bater, Meu Coração Parou, ao contrário do resto do planeta (ao que parece). Achei lento e pretensioso, ainda mais com o Romain Duris, que me irrita muito. Mas aqui, Audiard dá um banho. Sabe ser duro e poético ao mesmo tempo. E felizmente escolheu um protagonista bem mais digerível (o estreante Tahar Rahim). Nas suas duars horas e meia, há pelo menos três cenas já antológicas (não vou revelar quais, óbvio) mas daquelas de encher os olhos e ficar grudado na cadeira vários minutos depois de passadas. Tem muita, muita, muita conversa política de submundo de gângster e coisa e tal, que não domino (muito menos com legenda em inglês), mas não fica só nisso. É, no fim, como um épico, abrangendo um período extenso na vida de seu protagonista. E não sei dizer afinal quem merecia a Palma de Ouro, se esse ou A Fita Branca. Ambos são intensos e impactantes à sua maneira. E a briga/discussão vai continuar no Oscar, pelo jeito. Veremos se o resultado se repete.

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Filed under Famosos, Festivais, Filmes vistos

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