LFF – 12º Dia

A ótima estreante Gabourey Sidibe e fenomenal Mo´Nique: realidade chocante em um filme perturbador

A ótima estreante Gabourey Sidibe e a fenomenal Mo´Nique: realidade chocante em um filme perturbador

Filme: Precious: Based on the Novel ´Push´ by Sapphire

Nota: * * * * *

Deve fazer uns oito meses que se fala desse filme, desde que passou (e foi premiado) no Festival de Sundance. Oprah é uma das produtoras executivas e só a divulgação dela já faz metade do planeta querer ver. Mas eu tava meio com o pé atrás, achando que podia ser muito hype pra nem tanto conteúdo. Nossa Senhora! Como tava errado! O filme começou difícil, pois não conseguia entender direito o que a personagem principal narrava (ou falava) com aquele sotaque americano do Harlem quase impossível. Mas a história foi crescendo, e crescendo… Um punhado de cenas dão sustos na platéia como um filme de suspense, de provocar suspiros mesmo, tamanho o impacto e a realidade de como são feitas.

E nada como ter uma desconhecida (estreante nesse caso) para dar veracidade ao papel. Gabourey “Gabby” Sidibe – que foi ao festival um dia antes, mas não pude vê-la 😦 – passa toda a dor, introspecção e ao mesmo tempo força que sua Precious precisa – uma garota analfabeta de 16 anos (ela tem hoje 26!) grávida pela segunda vez e que sofre todo tipo de abuso psicológico e físico da família, em especial a mãe que mora com ela. E que mãe é essa?! Nem dá pra tentar resumir o que ela faz. É possivelmente a mãe mais brutal já vista na tela. Chocante é o mínimo, mas não gratuito. Quem tirar o Oscar de coadjuvante de Mo´Nique vai ser amaldiçoada pro resto da vida! Menos Julianne Moore, claro. Mas não tem páreo… A cena final dela é uma das mais emocionantes que vi nos últimos tempos. Chorei feito criança. E fiquei com ela na cabeça por um bom tempo…

A gordinha passou pelo festival pra divulgar o filme... mas não deu pra vê-la :( (foto BFI)

A gordinha passou pelo festival pra divulgar o filme... mas não deu pra vê-la 😦 (foto BFI)

Palmas duplas também pro diretor Lee Daniels. Produtor respeitado nos EUA (fez A Última Ceia e O Lenhador, por exemplo), só tem Shadowboxer (no Brasil, Matadores de Aluguel, que saiu direto em DVD, acredito, com Cuba Gooding Jr. e Helen Mirren), no currículo. Excelente diretor de atores, conseguiu tirar boas performances de Lenny Kravitz e – extra! extra! – de Mariah Carey (num papel cogitado antes pra Helen Mirren!!! sente o contraste!). Ela já tinha tentado uma “desglamurização” pra convencer como atriz (e parece que saiu-se ok) em Tennesse, não por acaso produzido por Daniels (o filme também saiu em DVD no Brasil, pelo que achei). Posso até pensar em diminuir as cinco estrelas mais adiante, depois de passado um pouco o efeito do filme… Mas acho que junto com o filme do Tarantino, é a melhor coisa que vi esse ano.

Filme: Capitalism: A Love Story

Nota: * * * *

Michael Moore declara guerra agora ao capitalismo, especialmente o americano

Michael Moore declara guerra agora ao capitalismo, especialmente o americano

 

A sessão: um dos momentos mais esperados do festival, o tão comentado “Surprise Film”. Nos últimos dois anos foram Onde os Fracos Não Têm Vez e The Wrestler, sendo que ano passado Mickey Rourke deu um pulinho em pessoa para introduzir o filme. Por isso, estava uma pilha. Na porta dos fundos do cinema, carros e mais carros do festival, seguranças na volta e um punhado de tietes com maquininhas e bloquinhos na mão. Pronto! Aumentou ainda mais a pressão. Quem será? Lá dentro, a diretora do festival, Sandra Hebron, faz o suspense tradicional, e diz que não vai revelar o filme até ele começar. Pergunta os palpites da platéia: consegui ouvir uns gritos de Sherlock Holmes e New Moon (afe!). Eu próprio cheguei a pensar cá com meus botões em The Lovely Bones e Nine (ahhh como seria bom!). Ela só falou que era um filme que queria muito ter na programação, mas havia sido possível. E que, infelizmente, o diretor não pôde vir! Humm.. só isso? Mas e algum ator do filme? Nada? Ok… Paramount Vintage apresenta…. Michael Moore!!! Cool! Por isso não tinha ator dãããã… Leve frustração de ele não estar lá, mas… o filme valia a pena afinal! Pagaria ingresso, com certeza! PS: depois fui entender que a tal tietagem do lado de fora era pra Eva Green e cia., que tavam lançando Cracks, estreia como direta de Jordan Scott, filha do Ridley (ambos estavam lá!).

O filme: Gosto dos filmes do Michael Moore – meu preferido dele acho que ainda é o Tiros em Columbine. Mas sei que ele tem seus defeitos. Manipula todas as informações e imagens que quer para passar a mensagem desejada. Mas faz sim de maneira muitíssimo hábil. E no caso de um assunto tão “cabeça”, que poderia ser chato e burocrático nas mãos de outro, seu estilo e senso de humor torna-se a maneira ideal de tentar aprender um pouco sobre o beabá do capitalismo americano nos dias atuais. O estilo é o mesmo. Ele aparecendo em muitas das situações, tentando fazer graça, misturando dramas reais de gente afetada pelos “vilões” e por aí vai. Não me causou tanto impacto quanto no último, Sicko, por exemplo. Mas, como de costume, tem suas revelações quase inacreditáveis, dignas de um bom thriller. No fim, assume que odeia o capitalismo e quer que ele morra. Mais direto, impossível. Pelo menos não fica em cima do muro. E isso é algo que tem que se respeitar hoje em dia.

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Filed under Famosos, Festivais, Filmes vistos

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