LFF 2011 – Dias 3 e 4

Os diretores Nick Broomfield e Joan Churchill falaram sobre o filme

Confesso que o mais que sabia sobre Sarah Palin eram as imitações de Tina Fey no Saturday Night Live. Uma ou outra notícia das barbaridades que ela falava ou aprontava, mas não conhecia a fundo. Só sabia que virou uma figura alvo de deboche nos EUA, e que vai virar (tele)filme ano que vem com Julianne Moore (e Ed Harris como John McCain). Pois o documentário Sarah Palin: You Betcha! me serviu para “aprender” mais sobre a dita. Basicamente, é uma sociopata, diz o filme. Então tá, fiquemos com essa por enquanto. O diretor Nick Broomfield parece badalado aqui na Inglaterra, mas o estilo de filmar dele me soou como uma tentativa frustrada de copiar o Michael Moore. Têm pelo menos três intervenções dele em frente à câmera absolutamente desnecessárias, se fazendo de palhaço e tentando dar graça ao filme. Não colou. Com a Q&A dele (com a codiretora Joan Churchill), fiquei com uma impressão ainda pior dele: um tom pedante e auto-suficiente. Nãããã ✰✰½

Esbarrando no Fassbender no tapete vermelho

Saindo da sessão de Sarah Palin, damos de cara com o tapete vermelho e a próxima première: Shame. “Saída pela esquerda”, diz o segurança, apontando para o lado oposto de onde estava concentrada a muvuca dos fotógrafos e público aguardando as estrelas. Dez passos depois em direção à saída, vejo uns flashes e uma leve aglomeração. “Será que é?”, pensei eu. Era. Michael Fassbender entrando pela lateral, no exato mesmo lugar onde estávamos saindo da sessão anterior. Já tinha uns caçadores de autógrafos ali e eu, claro, mais que rápido, saquei a câmera. Os seguranças, por algum motivo, não isolaram o espaço entre nós que saíamos e o moço famoso. Ou seja, parei DO LADO dele, tendo que dar espaço para ele passar. Fiquei ali só assistindo ele dar os autógrafos, tirar umas fotinhas e distribuir muitos sorrisos. Ô cara simpático. Mais simples impossível. Foi tudo bem rápido. Daí dei a volta correndo pra ir pra frente do cinema ver ele passar no red carpet. Fiz mais umas fotos e uns vídeos e, nesse meio tempo, chegou o diretor Steve McQueen, também muito simpático e atencioso.

A turma de Shame: Michael Fassbender, Iain Canning, Abi Morgan e Steve McQueen

The Fassy

Shame era o hot ticket do festival. Acho que tinha quase 100 pessoas na fila dos “return tickets”. E o clima dentro da sala era especial mesmo, dava pra sentir a ansiedade. Bom, sem falar muito do filme pra não estragar a surpresa de quem não viu, é um puta filme mesmo. Sóbrio, adulto, agressivo, seco. Muito bem fotografado, muito bem editado e muito bem dirigido. Fassbender dá o banho que a gente já ouviu falar (e Veneza bem reconheceu) e Carey Mulligan foi uma grata surpresa, dando um show cantando “New York, New York” em versão jazzística. A Q&A foi ótima, muito bem-humorada. O destaque foi para uma pergunta da plateia sobre a nudez de Fassbender – se estava no contrato dele com Steve McQueen em todos os filmes, já que aparecem abundantemente em Hunger e Shame. A resposta foi política (“ele é um artista“, disse o diretor), mas a reação encabulada do ator foi uma graça. ✰✰✰✰

Felicity Jones (foto: BFI)

No sábado (4º dia), acabei retirando Restless, do Gus Van Sant, da minha programação, por causa do show da Elza Soares. Então Like Crazy, foi o único do dia. Mas valeu por muitos. Que filme bem lindinho. Chorei feito um camelo. Ok, o filme não é nada demais. É um drama-romântico-juvenil-independente-americano-que-virou-hit-em-Sundance-e-todo-mundo-ama-agora. Mas esse tema de relacionamentos à distância, especialmente quando em Londres, tocou lá no fundinho. E os atores são uma fofura (Felicity Jones tava na sessão da noite anterior, mas perdi). ✰✰✰✰

Restless (Inquietos)

UPDATE: Acabou que Restless entrou em circuito comercial na semana seguinte e dei um jeito de encaixar uma sessão durante o festival. Ou seja, digamos que fez parte da programção (até porque ninguém foi divulgar o filme e acabei fazendo o melhor negócio ao cancelar o ticket). Bom, e não é que o filme foi o oposto do que eu esperava? Os críticos aqui andaram malhando e, como já não sou tenho sido grande fã dos indies do Gus Van Sant, fui preparado para achar tudo muito pretensiosamente alternativo e descolado. Queimei a língua. Achei o filme, hããã… fofo. Pois é, quem diria… Tá na cara que ele quer ser um Harold & Maude (e não é) e que, vez por outra, alguma situação provocada pelos dois personagens soa meio forçada, mas no fim achei tudo bem digerível. Mia Wasikowska e Henry Hopper (filho do Dennis!!) são um casal lindo e plenamente espontâneo e a historinha de amor deles acaba convencendo bem. Nada muito profundo ou com grandes lições de moral e, por isso, mesmo muito melhor que um Elefante da vida – sem aquela pretensão disfarçada. Vai ver eu tava de bom humor nesse dia, vai saber… ✰✰✰½

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2 Comments

Filed under Famosos, Festivais, Filmes vistos

2 responses to “LFF 2011 – Dias 3 e 4

  1. Olá, Rodrigo! A Simone Régios que me indicou teu blog, primeiro porque você viu o Fassy ao vivo, mas estou adorando a leitura, porque também sou vidrada em cinema. Muita inveja de você na BFI, hein? Aproveite!

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    • Oi “Gra” (Grazi?), q bom q tá gostando!! A farra tá boa aqui sim, não vou mentir. Pois é… o Fassy eu literalmente trupiquei no moço… coisas surreais que só acontecem aqui… mais algum q vc curte horrores? Vai ter George Clooney em dose dupla a partir de amanhã… bj pra vc e pra Simone!

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