LFF 2011 – Dia 5

Sem muitos sorrisos quando chegou, mas um palhaço depois

O fato é o seguinte: se a Academia teve a pachorra de dar um Oscar pro Denzel Washington por Dia de Treinamento, que não se atreva a não, pelo menos, indicar Woody Harrelson por Rampart. Sim, os dois interpretam policiais corruptos, mas ouso dizer que Woody bota o dentuço no chinelo. Ele está em todas as cenas do filme e mergulha fundo na complexidade do personagem. É durão, engraçado, sofrido, desesperado, tudo junto e na medida certa. É a segunda parceria com o diretor Oren Movernan (do também ótimo O Mensageiro) e é muitíssimo bem fotografado e editado, além de um ter elenco de coadjuvantes foda (Sigourney Weaver, Ned Beatty, Ben Foster, Robin Wright). ✰✰✰✰

Logo depois do filme, teve um Screen Talk com o próprio (confirmado de última hora e, por causa do qual, troquei o libanês Where Do We Go Now?). Peguei ele na entrada do BFI (foto), logo que desceu do carro e foi abordado por uns caçadores de autógrafos. Não deu qualquer sorriso e não assinou todos (estava meio atrasado), então fiquei com uma impressão decepcionante dele. Mas esta logo se desfez, pois na entrevista ele foi muuuuito engraçado. Fez piada com a plateia (perguntou para um homem que saiu no meio, se ele ia fazer número 1 ou 2), bebeu água no bico da garrafa e por aí vai. Contou que ainda é amigo de Larry Flynt, que o fígado dele grita durante o “awards circuit” (de tanta festa que tem de ir) e que o futuro The Hunger Games é o maior filme que ele já participou. Valeu a troca do ingresso, com certeza.

Ator, diretor e homem das cavernas: Ralph Fiennes (com a diretora do BFI, Sandra Hebron)

“There´s no mercy in him as there´s no milk in the male tiger”. Esta foi a única frase que consegui entender na íntegra de Coriolanus, estreia de Ralph Fiennes na direção. E foi a minha estreia em Shakespeare sem legendas. Tarefa árdua é bobagem. Mas quer saber? Adorei o filme. Como pode? Bom, lembro bem de quando assisti Hamlet do Kenneth Branagh – com respectiva tradução, obviamente – e mesmo sem entender patavinas, fiquei vidrado nas quase três horas do filme. Deve ser essa a mágica de Shakespeare, sei eu.

Vanessa Redgrave, Brian Cox e John Logan

Enfim, deu pra tirar o teor da coisatoda, claro, e as fantásticas performances ajudaram e muito. Ralph não teve medo de pegar pesado na direção (quase um filme de guerra) e nem nas caras e bocas na hora de interpretar o papel-título. Todo o elenco está ótimo (Jessica Chastain em seu 356º filme este ano), mas quem ganha o filme é mesmo Vanessa Redgrave, como a mãe. Que presença, que postura, que voz, que mulher. Oscar now! Ah e ela deu outro banho de simpatia no tapete vermelho (que peguei no finalzinho), sorrindo e atendendo a todos como se fossem amigos. Quando eu entrava no cinema, Mr. Fiennes estava dando uma última entrevista e dei de cara com ele e sua barba de 3 metros. No palco, para a Q&A (junto com Brian Cox e o roteirista John Logan), ele se mostrou muitíssimo inquieto, nervoso e até cacoeteiro, andando de um lado pro outro, puxando a calça, mexendo na barba… esquisito. Mas elogiou Fernando Meirelles (se inspirou nele para dirigir), então ganhou mais 5 mil pontos comigo. ✰✰✰✰

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Filed under Famosos, Festivais, Filmes vistos

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