LFF 2011 – Dia 6

Dia dos indies no festival. Primeiro, o novo Todd Solondz. Vi Life During Wartime há dois anos também no festival e depois o filme nunca chegou a estrear comercialmente aqui. Mas não foi só por isso que garanti o ingresso pra Dark Horse. Gosto de todos os filmes dele, desde Bem-Vindo à Casa de Bonecas; meu preferido acho que é Felicidade. Gosto, mas não amo. Especialmente dos últimos. Acho interessante o humor dele, com foco sempre nos personagens mais patéticos que o cinema americano já viu. Nesse novo, porém, ele sobe um tom (ou vários). Vai para o nonsense mesmo. O que é engraçado, claro, mas também perde um tanto do impacto. Mesmo assim, ele sempre capricha no elenco – Mia Farrow e Christopher Walken como os pais abobalhados são impagáveis. ✰✰✰

Bons diretores de ficção que brincam com o documentário sempre são interessantes de acompanhar. Daí resolvi arriscar com I´m Carolyn Parker, do Jonathan Demme. O filme foca em uma mulher batalhadora de New Orleans que luta para reconstruir a vida depois do furacão Katrina, sem deixar de fazer a necessária crítica social. Por ser rodado em vídeo, dá um toque autêntico, mas ao mesmo tempo cansa o olho, há de se confessar. A personagem é realmente incrível, engraçada, positiva, cheia de vida. Mas a narrativa é por demais convencional (cronológica) e falta grandes cenas de impacto (principalmente no final). Enfim, correto e interessante, mas só. ✰✰✰

(pq a câmera do iPhone precisa ser tão podre?) Lucas Pittaway e Justin Kurzel

Li a seguinte crítica antes de ver o filme: se você achou Animal Kingdom forte, prepare-se porque Snowtown é 20 vezes mais. Oi? É regra do cinema australiano agora? Bom, se for, pra mim tá bom, porque ambos são foda. E (não por acaso, imagino eu) têm vários pontos em comum: contam histórias reais, do ponto vista de adolescentes e são estreias na direção. E que estreias.

Confesso que não sabia bulhufas sobre a história de Snowtown (tô numas agora de ler o menos possível sobre filmes que sei que vou ver), então o choque foi ainda maior. Mas como qualquer sinopse em qualquer site vai dizer que trata-se da história do maior serial killer da Austrália, não chega a ser nenhum spoiler. Mas nada prepara o espectador para o que vem a seguir. Bastante estilizado (bela fotografia, música e edição ousadas), mas com uma narrativa seca e totalmente focada nas expressões/improvisos dos atores (muitos closes). A violência nunca é gratuita e aparece conforme o filme cresce e encorpa. Impressionante. O diretor Justin Kurzel e o guri principal do filme, Lucas Pittaway (também estreante), estavam na Q&A e contaram sobre como a cidadezinha-título até hoje é estigmatizada pelo ocorrido (o filme foi rodado lá). Longa vida ao cinema australiano. ✰✰✰✰

Advertisements

Leave a comment

Filed under Festivais, Filmes vistos

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s