LFF 2011 – Dia 12

Ele teve aqui e eu perdi 😦 (foto: contactmusic.com)

Tão bom ver um filme que faz jus ao talento de um grande ator, geralmente relegado a papeis coadjuvantes. Pois Take Shelter é o veículo perfeito para Michael Shannon. Um drama independente com temática apocalíptica, em que seu personagem faz o que a gente quer ver ele fazendo na tela: surtando. A história é bem tensa e até comovente, e usa de efeitos especiais de maneira inteligente. Só doeu saber que o próprio Shannon passou por lá pra apresentar a primeira sessão do filme e eu perdi (ok, estava na Masterclass do Alexander Payne). Mas enfim… não se pode ter tudo. ✰✰✰✰

Mas quem sou eu pra reclamar depois de uma noite tão cheia de emoções? Imaginava que se Madonna resolvesse dar as caras por aqui, a coisa iria esquentar… mas não tanto. Mas vamos por partes:

O antes
Tinha um filme noutro cinema, mais longe, marcado pras 16h15, e pretendia sair dele e correr pra Leicester Square, pra terntar pegar um pouco da muvuca (W.E. só começaria às 19h30). Mas quando chego ao meio-dia por lá e já vejo um bando de gente sentado no chão em frente ao Empire, me bateu uma agonia. Será que vai lotar tanto que não vou conseguir ver nada? Depois que saí de Take Shelter (2 da tarde) já tinha um curralzinho pro público e fechado! Me apavorei. Resultado? Deixei pra trás o filme das 4 (o austríaco Michael) e me juntei aos porquinhos que já começavam a congelar sob os 10 graus centígrados do outono londrino.

"Nervosa e emocionada"

Algumas horas depois, Madonna aparece e a praça vem abaixo. Não, não é exagero. Posso falar porque já vi passar furacões por lá, de Tom Cruise a George Clooney e Angelina Jolie. Nada foi nem parecido. Não só pelos fãs que esperavam pra vê-la e/ou pegar um autógrafo. Tava visível que tinha uma expectativa diferente no ar, dos jornalistas, dos fotógrafos, quiçá dos seguranças. E pra juntar a tudo isso, “abriram os portões” pra entrada de quem tinha ingresso pro filme ao mesmo tempo da chegada dela. Ou seja, embolou tudo. Ela chegou e deu umas 2 ou 3 entrevistas, se virou e deu uns 2 ou 3 autógrafos e teve que ser levada pra dentro do cinema (faltavam uns 20 minutos pro início). A passagem dela pelo red carpet foi a coisa mais louca que já vi. Uns 10 seguranças, mas outros staff e MAIS toda a gente que entrava. Repito: embolou. Literalmente. Parou tudo. Não teve quem não tirasse o celular ou a câmera do bolso pra fazer uma foto dela. Daí os seguranças tiveram que barrar todo mundo e fazer ela passar. Ela foi até a frente, posou rapidamente pros (muitos) fotógrafos e se encaminhou pra dentro. Não sem antes levar umas boas vaias. Ao mesmo tempo que não dá pra culpar os fãs que se sentiram frustrados em esperar tantas horas (alguns desde 8 da manhã!) e não conseguir vê-la de perto ou pegar um autógrafo, também não dá pra dizer que a culpa foi dela. A obra na Leicester Square diminuiu muito o espaço pro tapete vermelho e, com aquela muvuca formada, se não colocassem ela pra dentro dumavez, era capaz de explodir. Eu, como tinha ingresso garantido pra segunda parte da noite, nem reclamei e tratei de achar meu caminho pro Empire Cinema também.

Diretora orgulhosa de sua equipe ("british are the best")

O durante
Casa lotada pro filme (1.300 lugares!). E eu tinha lugar na segunda fila (viva o BFI), então tava tranquilo, sabendo que ia vê-la apresentando de perto. No caminho pro meu assento, porém, vi gente fotagrafando uma poltrona. WTF? Tinha um cartaz colado nela: “Madonna”. Oi? Ela ia sentar e ver o filme? Ou só fazer a linha pros fotógrafos? Enfim… a diretora do festival chama a “cineasta” ao palco e, de novo, o cinema vem abaixo. Veja bem: é o meu terceiro London Film Festival, e essa devia ser a 50ª première que vou e nunca vi algo semelhante. Ok, admitamos: pelo menos uns 70% da plateia toda era formada por fãs DE Madonna. Aposto que a maioria sequer fazia ideia de quem foi Wally Simpson, o que é o BFI ou mesmo quais outros filmes estão no festival. Estavam ali por ela, portanto se ela apresentasse uma versão trash de Chapeuzinho Vermelho, a euforia seria a mesma, provavelmente. Mas seja como for, foi de arrepiar ver (quase) todo mundo se levantando quando o nome dela foi chamado e ela desceu a escadaria em direção ao palco. Ela falou da honra e emoção de apresentar o filme em Londres (onde nasceu a ideia para o roteiro) e que estava mais nervosa do que em Veneza ou Toronto. Depois chamou alguns atores do filme (incluindo James D’Arcy e Andrea Riseborough) e distribuiu agradecimentos e sorrisos, tudo sob os gritos dos tietes. Quando voltou pro lugar aonde sentaria, ouviu-se uma mulher gritar alguma coisa sobre Lady Gaga e depois a própria Madonna retrucando (e todos à volta rindo). No Twitter depois, alguém disse que a tal mulher, depois que muitos gritarem coisas como “wonderful“ e “amazing”, teria largado um ”Who needs Lady Gaga?” e Madonna rebateria com “Lady who?”. Plenamente possível, não?

O depois

Sentadinha e comportada pra Q&A

Lady who?

Qual não foi o choque quando a Sandra Hebron do BFI anunciou que Madonna voltaria depois do filme para responder umas breves perguntas. Quem imaginaria isso? Sério, eu custava a acreditar que ela viria para o festival, mas a daí a ficar sentadinha durante toda a sessão e voltar para falar do filme, foi demais. As perguntas foram básicas e nada de muito reveladoras (sobre a ideia pro filme, escolha do elenco, figurinos, desafio de escrever e dirigir etc etc). Nada de perguntas da plateia, obviamente, senão já viu no que ia terminar aquilo. Mesmo assim, duvido muito que alguém tenha saído daquela noite insatisfeito. Eu, certamente, não.

E o que achei do filme? Longe de ser a bomba anunciada no Festival de Veneza (críticos chatos que já tinham a resenha pronta antes mesmo de ver o filme, aposto). Achei que tem muita classe, honesto, com carinho ao tema que retrata. Se Madonna exagera um pouco na trilha sonora (excessiva e atrapalhada em algumas cenas) e na edição às vezes meio alucinada demais pra um filme “de época”, acho que ela acertou ao ousar na mistura de tons da fotografia (incluindo super-oito) e soube dirigir bem seus atores (especialmente Andrea Riseborough como Wally). Faltou emoção, mas sobraram boas intenções. Vamos combinar de dar uma chance pra material girl, então? ✰✰✰

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1 Comment

Filed under Famosos, Festivais, Filmes vistos

One response to “LFF 2011 – Dia 12

  1. halalson

    – Vamos combinar de dar uma chance pra material girl, então?
    – Não.

    [risadas maléficas]

    Like

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