LFF 2011 – Dia 13

Into the Abyss: lágrimas à vista

Um Werner Herzog novo é sempre interessante. Vi o Vício Frenético do Nicolas Cage no festival retrasado e, como todo mundo, saí chapado. Nem cheguei a ver o Caverna dos Sonhos Esquecidos (passou rápido por aqui) e saiu este Into the Abyss: A Tale of Death, A Tale of Life no programa deste ano. Reservei na hora. Pois então… Acho que não vai figurar na lista dos melhores filmes dele, não. Até porque depois de Homem Urso, dificilmente ele vai se superar. Mas este novo, apesar do tema interessante (pena de morte), ficou bem a desejar. Ele foca em um crime específico (dois adolescentes americanos que mataram 3 pessoas de uma família por causa de um carro), arranca depoimentos emocionantes (mesmo – várias lágrimas!) dos entrevistados, mas é feito de forma espantosamente burocrática, quase preguiçosa, tal qual um telefilme. Não por acaso, tem no IMDb um documentário pra TV chamado “Death Row” previsto para 2012 na filmografia de Herzog. Ou seja, leva a crer que enquanto ele fazia este, achou a história de um dos casos interessantes e resolveu desenvolvê-la. Pena que ele foi lá pessoalmente pra nos explicar. ✰✰✰

Será que a “outra” Olsen chega ao Oscar?

John Hawkes: rumo a biografia de Charles Manson?

Sempre fico curioso por esses filmes que fazem barulho em Sundance e Martha Marcy May Marlene foi um dos grandes destaques. Muito merecido, diga-se. É um drama psicológico com ares de thriller, destes que vão crescendo e prometendo um final dos mais hardcore. Well… (não vou ser a contar o final, né?). Os atores estão ótimos – Elizabeth Olsen (a irmã mais nova daquelas gêmeas chatas) merece todo o bafafá pré-Oscar, com um personagem dúbio e megacomplexo, e John Hawkes está virando o rei dos indies, com outro papel sensacional (ele até canta uma música linda, digna de Oscar). Não estive na sessão “nobre” do filme dois dias antes (estava na première de O Garoto de Bicicleta), mas corri para chegar e ver a chegada dos atores pro red carpet. Elizabeth é mesmo muito bonita e John Hawkes é… hummm… peculiar. Como o meu filme acabou um pouquinho antes deste, na saída vi uma movimentação dos caça-autógrafos na porta do cinema e resolvi dar uma esperadinha na esquina pra ver se algo acontecia. Menos de dez minutos depois, saem os dois atores, em direção ao carro. Hawkes, com seu chapeuzinho estiloso, parecia que estava passeando no calçadão, brincando com um cachorro que passava e tal. Um cara que tava do meu lado e viu ele passar largou essa: “vc não acha que eles parece o Charles Manson?”. Não é exatamente um elogio, mas pensando bem….. num é que é? Biografia à vista? ✰✰✰✰

O queixo

Freud e Jung de perfil

E pra terminar outro dia intense de London Film Festival, um David Cronenberg novinho. Tá, não é “o” Cronenberg que a gente tá acostumado, é bom dizer desde já. Mas a première de A Dangerous Method foi beeeeem legal, já que diretor e todo seu elenco principal estavam lá pra apresentar o filme e depois para responder as perguntas na Q&A. O filme é baseado em uma peça de teatro escrita por Christopher Hampton (também roteirista), e isso está estampado no filme. Não, isto não é um problema; pelo contrário, quantas maravilhas “teatrais” a gente não vê no cinema, certo? Mas o filme não tem um bom ritmo. Tem muito falatório e nem tudo soa orgânico. Tem muita coisa que parece costurada superficialmente, para embasar a hístória nos personagens reais. E olha que eu não sou grande conhecedor de psicanálise e muito menos das vidas de Freud e Jung, mas sei lá, me pareceu tudo meio encaixadinho pra história parecer “definitiva”.

Um choque: Cronenberg is sweet!

Também não sei ainda o que achei dos atores. Michael Fassbender está correto como Jung, mas nem 1/3 do que fez em Shame. Já o Freud de Viggo Mortensen é um personagem cômico, seja isto baseado em fatos reais ou não – e o sotaque cantado dele não ajuda a levar muito a sério. E Keira Knightley acaba sendo o centro do filme: começa como histérica e louca completa, com muitos, MUITOS tiques (com os quais ela eleva o seu queixo à uma potência inimaginável, e que torna impossível olhar para qualquer coisa na tela que não ele), mas depois vai crescendo na história e até que convence. Na Q&A, todos explicaram que fizeram muita pesquisa sobre os personagens reais (incluindo os tiques!). Ah e Cronenberg mostrou-se ser um cara doce e querido! (deu beijinhos na boca de todos os atores quando subiram ao palco e autografou e tirou fotos no tapete vermelho). Curiosidade: perto dos 10 minutos do filme, um homem passou mal no cinema, alguém gritou por um médico e a projeção chegou a ser interrompida. Certamente o mal-estar não foi causado pela emoção do filme, mas quem sabe por saber que aquele quarteto sensacional estava ali tão perto… ✰✰✰

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1 Comment

Filed under Famosos, Festivais, Filmes vistos

One response to “LFF 2011 – Dia 13

  1. halalson

    que beijoqueiro, o Cronenberg!

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