LFF 2011 – Dias 14 e 15

Emmerich e sua gangue

Quando teve o Big Screen, evento da revista Empire em agosto, um dos convidados que apareceu por lá foi o Roland Emmerich, para falar de Anonymous. Até então, confesso que não sabia do que se tratava o novo filme dele (não que me interessasse, já que até hoje não vi 10.000 A.C. nem 2012). Mas achei a história, no mínimo, curiosa – sobre a tal teoria que rola no mundo real de que Shakespeare foi uma farsa, que nunca escreveu qualquer coisa do próprio punho e tinha apenas seu nome usado para assinar as peças escritas por Edward De Vere, Conde de Oxford. Daí, ele se torna uma das premières de gala do London Film Festival e tive que pagar pra ver (literalmente).

Joely Richardson e Rhys Ifans

Pois bem… a premissa segue interssante e faz coçar a cabeça. Mas, como de hábito, o alemão pisa demais no acelerador. Acho até que a culpa maior do filme ser tão atrapalhado nem é dele, mas sim do roteiro de John Orloff, que não se concentra apenas na história Shakespeare x Edward, mas cria um rocambole histórico de dar nó na cabeça de qualquer um (especialmente de quem não domina a história britânica – como eu). Emmerich não deixa de lado suas piruetas de câmera e dá cores de thriller político ao filme que, pra mim, só foi perdendo credibilidade conforme ia avançando. O elenco também varia na qualidade das atuações – se Rhys Ifans está bem no papel principal, alguns dos atores mais jovens dão uma escorregada na empostação da voz; enquanto a Rainha Elizabeth velha de Vanessa Redgrave é a coisa mais bizarra da face da Terra, praticamente uma debiloide. Alguém que conheça História, por favor me esclareça que aqueles tiques dela procedem. Please! Ah, a a première foi bem badalada, com boa parte do elenco por lá pra apresentar o filme (incluindo Ifans, David Thewlis e Joely Richardson). ✰✰½

Acrescentei HERE (assim mesmo, com maiúsculas) de última hora, para preencher um dos horários. Estava entre os indicados do júri do festival para melhor filme estreante. Fui basicamente pelo elenco: o terceiro filme de Ben Foster que vi no festival (além de 360 e Rampart) e também a Lubna Azabal (que adorei em Incendies). Uma road movie romântico, com ideais poéticos, passado na Armênia. Coisa básica né? Tem uma fotografia bem bonita, uma trilha sonora delicada e uma narração em off interessante (com a voz do Peter Coyote), mas acabou meio que não chegando a lugar nenhum. Não chega a ser pretensioso ou metido à besta, acho que só faltou mais emoção mesmo, mais desenvolvimento da relação dos dois para poder tocar mais. O diretor Braden King estava lá pra falar do filme, mas tive que fugir da Q&A pra poder comer algo antes do próximo filme. ✰✰✰

Dá pra trocar o Oscar do Sean, faz favor?

Precisou chegar ao penúltimo dia do festival pra ter uma surpresa daquelas. Claro que não ia deixar de ver o novo filme de Sean Penn, ainda mais dirigido pelo italiano Paolo Sorrentino e que passou em Cannes (ganhou o Prêmio Ecumênico). Mas This Must Be The Place foi muito além. Pra começar, é um filme absolutamente maluco, doido, com ares de nonsense às vezes. Faz lembrar Flores Partidas em certos trechos. É muito engraçado (várias gargalhadas altas da plateia), e ao mesmo tempo profundamente tocante em muitas partes (especialmente perto do final). Logo de cara, fica a dúvida se aquele cara cabeludo, de olho e boca pintados e de voz de criança vai convencer e trazer alguma empatia… Sei lá se ele tá mais pra Robert Smith ou pra Ozzy Osbourne, só sei que Sean Penn tá absolutamente genial (6 milhões de vezes mais memorável que o filme pelo qual ele ganhou o primeiro Oscar). Teve até algumas palmas no meio do filme, tamanho é o envolvimento do espectador com aquela pessoa tão bizarra e tão carismática. E de quebra um elenco coadjuvante matador (Frances McDormand, Harry Dean Stanton e Judd Hirsch excelentes também). Surpresa das boas mesmo. ✰✰✰✰ (com vontade dar mais³).

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Filed under Famosos, Festivais, Filmes vistos

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