LFF 2011 – Último dia

Faust: desafio ao sono

O último dia do BFI London Film Festival 2011 começou puxado. Decidi encaixar o russo Faust, do Alexander Sokurov, depois de ter ganho o Leão de Ouro em Veneza. Daí, em plena hora do almoço (sem comer), tive a exata a mesma experiência que tive com Tio Boonmee (que, não por acaso, incluí no festival passado, depois de ter ganho a Palma de Ouro em Cannes): TÉDIO. Gente, nunca soube que tinha o talento, dom e capacidade de dormir de olho aberto. Incrível! Ainda mais durante longos e intermináveis 134 minutos. Tinha um fio de esperança que a história do cara que vende a alma pro diabo em troca de sabedoria, podia render algo minimamente atraente. Não rolou. É um desfile de diálogos sem sentido e/ou existencialistas e uma colagem randômica de sequências desconexas (algumas  bonitas imagens, é verdade), que vão desde closes em tripas intestinais até maquiagens corporais de dar inveja a Vovó…Zona. Sério, não dá pra mim. Talvez seja demais pra minha cabeçola. Whatever. ✰✰

Deannie Yip: melhor atriz em Veneza

Por causa do excesso da metragem do russo, tive que cancelar o Habemus Papam do Nanni Moretti (vai estrear em breve aqui) e acabei trocando por A Simple Life (Tao Jie). Tinha lido boas críticas dele e, além de ser o candidato oficial de Hong Kong ao Oscar, tinha a credencial de ter ganho prêmio de atriz em Veneza (Deannie Yip). Pois foi o antídoto perfeito para a pretensão artística do Sokurov. Um filme absolutamente simples e encantador. A história da empregada que, depois de servir por 60 anos a uma mesma família, fica doente e vai para um asilo, não provoca choro fácil e gratuito, mas emociona genuinamente, sobretudo pela atuação de Yip. Não conhecia a diretora Ann Hui (64 anos, chinesa, mas radicada em Hong Kong) que parece ter uma carreira bem extensa. ✰✰✰✰

Elenco apresentando o filme de encerramento do festival

E para encerrar (o dia e o festival) uma prata da casa: The Deep Blue Sea, o novo filme de Terence Davies (depois de 11 anos). Para quem não liga nome à pessoa, não se culpe. A última edição da Empire traz uma matéria grande sobre ele com o seguinte título: “He has the eye of Malick, the ear of Scorsese and the precision of Kubrick… so why is Terence Davies still the greatest director you´ve never heard of?”. Acho que resume bem a admiração que os britânicos têm por ele, certo? Admito que dele só vi Memórias (The Neon Bible, com a Gena Rowlands), e não os mais famosos Sobre o Tempo e a Cidade, Vozes Distantes ou o mais recente A Essência da Paixão, com a Gillian Anderson.

Terence Davies e Tom Hiddleston

Bem, se formos usar o novo filme como parâmetro, não vai dar pra enxergar todas essas qualidades não. The Deep Blue Sea tem sim uma fotografia linda, trilha idem e um ritmo lento perfeito para a história romântica e depressiva. Mas não empolgou. Faltou emoção, calor, alguma cena que fizesse aqueles personagens pegarem fogo na tela e a gente realmente se importar com eles. Ficou só na vontade. A première foi pouco badalada já que Rachel Weisz não quis saber de Londres este ano (não foi na abertura também, com 360), então o elenco foi representado por Tom Hiddleston (o Loki do Thor) e mais um bando de coadjuvantes. Mas foi um encerramento digno para um festival excepcional. ✰✰✰

No próximo post, um balanço final, os premiados pelo júri e a lista dos meus preferidos do LFF 2011.

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Filed under Famosos, Festivais, Filmes vistos

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