Retrospectiva: os melhores de 2011

Lista é comigo mesmo. Adoro, sempre adorei. E na hora de fazer a retrospectiva, diversão pura. Trabalhosa, claro. Mas felizmente há sites como o Filmow e a LoveFilm que armazenam todas as notas que dou depois de ver cada filme. E olha, 2011 foi incomparável. Eita anozinho produtivo. Tanto que não consegui fazer um Top 10. Nem 20. Bom… saiu um Top 50, mais algumas menções honrosas. Nas “categorias”, selecionei 10 de cada, deixando 5 finalistas e outros 5 indicados (ou “runners-up” na linguagem dos Oscar freaks da internet). E, de novo, faltou espaço pra tanta gente boa.

Como de praxe, não consegui ver tudo. Faltou Sleeping Beauty. Faltou Insidous. Faltou Rango. Faltou Harry Potter. E tantos outros. Fora os brasileiros, que vi raros, infelizmente (ahhh seu Coutinho). E sem falar nas coisas ruins também, do tipo New Year´s Eve ou I Don´t Know How She Does It. Passei reto (daí o Top 10 dos filmes ruins ser meio “morno”, confesso, mais com filmes fracos/chatos do que propriamente bombas).

Vamos a eles? (se as imagens estiverem pequenas, só clicar para ampliar)

10 MENÇÕES HONROSAS

Faltou espaço pra Tin Tin. Pra The Ides of March. Pra Coriolanus. Quem sabe até pra um Tree of Life? (zzzzzz).

Top 41-50

Muitos não chegaram no Brasil, imagino, especialmente britânicos como o documentário Dreams of a Life, absolutamente emocionante, e este Las Acácias que vi na reta final em dezembro, outra bela descoberta argentina.

Top 31-40

Legal ver Senna em todas as listas de melhores do ano por aqui – não só de melhores documentários, mas filmes em geral (a Empire o colocou na 2ª posição!). E o novo do Karim Aïnouz foi uma das poucas belezuras nacionais que chegaram cá. Já o alemão Quando Partimos descobri num festival de mulheres diretoras e saí embasbacado de tão forte e bonito.

Top 21-30

Guerreiro foi daqueles pra calar qualquer pré-conceito: me pegou de surpresa (literalmente, numa sessão “secreta”, onde não sabia o que ia passar) e saí de cara inchada. Tal qual em Like Crazy, um filminho comum e simples, é verdade, mas que toca lá no fundo (mais ainda pra quem se enxerga na situação do amor à distância dos personagens). E Poesia chegou nos últimos minutos do ano e, como um coreano legítimo, arrebatou por inteiro.

Top 11-20

Todos poderiam estar facilmente no Top 10. Maravilhas de diferentes estirpes: dos mestres Almodóvar e Polanski, a novos achados britânicos como Tiranossauro e Weekend, até a bizarrice grega de Alps, e o megaoscarizável O Artista. Fora o meu favorito de sempre, o bom e velho Lars.

#10

Demoramos tanto a ver o novo de Lonergan, mas como valeu a espera. Não dá bem pra descrevê-lo. Uma pirralha americana aparentemente chata e voluntariosa provoca sentimentos do ódio à compaixão nos personagens à sua volta e também no espectador, que assiste estupefato àqueles diálogos longuíssimos e avassaladores. E que elenco.

#9

Já nasceu pronto pra qualquer lista de melhores E fez por merecer. A dobradinha McQueen e Fassbender vai ser daquelas que todo mundo baba pela próxima empreitada. Aqui não há espaço para risinhos ou descontrações. É pra se sentir incomodado mesmo, e sair com um gosto amargo. O único break é para se apaixonar (mais uma vez) por Carey Mulligan cantando “New York, New York”.

#8

Deve ser minha escolha mais esdrúxula para este Top 10 (não vi ninguém falar muito bem dele, na real). Mas eu saí do cinema completamente encantado. Não só por mais um show de Sean Penn, mas pela bizarrice do filme em si. Uma bizarrice criativa, original, sem medo de apostar no incomum. Mas que ao mesmo tempo fala de coisas sérias e emociona. Não é pouco.

#7

Rachei o bico do início ao fim. Coisa rara.

#6

Woody é suspeito, eu sei (tá quase sempre na minha listinha de melhores). Mas quando ele está em pleníssima forma, a babação é completa. Hilário e adorável a níveis comparáveis a A Rosa Púrpura do Cairo.

#5

Não foi exatamente uma surpresa – já curtia o estilo dos Dardennes – mas este me ganhou por completo. Eles são mesmo mestres na arte de fazer “nada acontecer” na tela e deixar o espectador totalmente envolvido e encantado por seus personagens. E esse guri faz qualquer machão se derreter.

#4

Já rasguei bastante seda pra Mr. Scorsese aqui, e este ano foi especial mesmo. Hugo foi o presente que seus súditos cinéfilos esperavam, em forma de um esplendoroso 3D. Nada menos que apaixonante.

#3

Dá pra entender quem fala que é um filme forçado a ser cool desde seu nascimento. Tá estampado em todos os frames: “eu sou foda”. Mas considerando que frases do filme são estampadas em camisetas, que a jaqueta do cara é sonho de consumo de milhões, que ganhou prêmio de diretor em Cannes, e que meio mundo se rendeu aos seus pés… como negar? E resistir?

#2

Ok, é de 2010, todos sabemos. Mas 1) só o vi em janeiro de 2011 (de férias no Brasil) e 2) estreou comercialmente em 2011 na Inglaterra. Então… palmas pra ele! Esse Padilha é abusado mesmo: não só se meteu a fazer uma continuação pra um fenômeno pop, mas conseguiu se superar totalmente. Novamente um perfeito filme de ação/thriller, mas com um discurso político em nenhum momento (nem unzinho!) chato ou maçante. Quem mais consegue fazer isso no cinema nacional?

#1

Hei de confessar: não fosse o Urso de Ouro em Berlim (filme e elenco), provavelmente não teria ido com tanta vontade ao cinema ver um filme iraniano – herança da minha mortal preguiça dos tempos em que um capim balançando por meia hora na tela fazia o gozo dos críticos (e em mim só bocejos). Pois nada me deixaria preparado para aquela experiência. Esta vai ser pra sempre uma aula de como “ser social no cinema”. Digo, como usar um tema de cunho político-social, como mostrar os costumes e a realidade de um país tão específico de maneira absolutamente interessante, sem ser didática ou pedante. O que poderia ser só um drama familiar ganha um ritmo basicamente de thriller, crescendo e cativando de maneira surpreendente e com um elenco nada menos que formidável (impossível apontar um melhor). Ganhou meu 1º lugar lá em abril e seguiu intacto até o fim – só falta aquela estatuetazinha dourada para a coroação completa.

 

Melhor DIRETOR

(runners-up:)

 

Melhor ATOR

(runners-up:)

 

Melhor ATRIZ

(runners-up:)

 

Melhor ATOR COADJUVANTE

(runners-up:)

 

Melhor ATRIZ COADJUVANTE

(runners-up:)

 

Melhor ROTEIRO

(runners-up:)

 

10 FILMES RUINS DE 2011

Um parêntese: há de ser dito que o pior filme que assisti em 2011 foi Um Jantar para Idiotas (Dinner for Schmucks, de 2010). Nada menos que abominável (uma decepção completa, dado o elenco tão legal).

 

E que venha 2012!

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5 Comments

Filed under Listinhas

5 responses to “Retrospectiva: os melhores de 2011

  1. Pingback: Indicados Oscar 2012: previsões finais | The Mad Movie Guy Blog

  2. Silvia Vidal

    Muito boa a lista, vou ver vários, principalmente os do seu top 10! E acho que provavelmente você sabe, mas “True Grit” e “Rabbit Hole” são de 2010 que só vieram para o Brasil em 2011. Uns filmes horríveis para acrescentar a lista dos piores foram “Your Highness” (provavelmente e pior filme que eu já vi na vida! Muito ruim mesmo) e “Cowboys vs. Aliens”.

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    • Oi Silvia, obrigado! Sim, estes filmes são de 2010, mas também aqui em Londres foram lançados no cinema em 2011, por isso incluí. Não vi Your Highness, e Cowboys achei fraquinho também, mas não tanto uma bomba!

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  3. Ahaha, bem legaaal, queria ter coragem de fazer essas listinhas, tsc tsc, rs. Acho que vi metade, e a outra metade marquei no “quero ver” pois ainda não estrearam aqui no Brasil, rs. Você mora em Londres?

    P.S.: Po, eu acho que te encontrei pelo filmow, mas acabei perdendo teu perfil, se puder passar novamente.

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  4. Elizabeth Alvarenga

    Que listas fantásticas! Já assisti alguns e outros vou conferir de acordo com seus comentários. Parabéns e bons filmes nesse ano novo que se inicia. Beth (filmow)

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